Sim! A princípio, todos os Simas que estão no Brasil são descendentes dos SIMMS que viraram SIMAS na região dos Açores em Portugal.
SIMAS - Família de descendência Escocesa de sobrenome Simms
1387 – Os SIMMS se instalam nas Ilhas dos Açores, acompanhando em comitiva a Rainha Filipa da Inglaterra (que iria se casar com o Rei João I de Portugal) e, com o tempo, se transformam em SIMAS;
1808 – Manoel Ignácio de Simas deixa a Ilha do Pico, nos Açores, Portugal, com destino ao Brasil (ainda não se sabe se sozinho ou em companhia de irmãos ou parentes - em pesquisa);
1833 – Manoel Ignácio de Simas aporta na ilha de Santa Catarina (Florianópolis/SC);
1836 – Manoel Ignácio de Simas casa-se e muda-se para Paranaguá/PR onde nascem seus filhos, entre eles FERNANDO SIMAS, abolicionista, 1º deputado federal no congresso constituinte republicano em 1890. Fernando Simas fixa residência no Rio de Janeiro/RJ.
FONTE: Historiador Doug da Rocha Holmes (www.dholmes.com/simaspjt.html)
No ano de 2154, a Terra já é um planeta com seus recursos naturais esgotados pela exploração do homem. Militares americanos são recrutados por uma mineradora que aportou em Pandora para explorar um valioso mineral escondido em seu solo. Pandora é uma das muitas luas orbitando o planeta Polyphemus. Pandora é um local exuberante e hostil. A atmosfera é venenosa para os humanos. A ecologia de Pandora se comunica com seus nativos como se fosse um sistema nervoso, sugerindo uma relação de sinergia entre todas as coisas em Pandora. O filme nos convida, então, a mergulhar nesse mundo. Um universo colorido e belo, que nos remete a algumas das noções que temos de paraíso.
O planeta é habitado por humanóides azuis, de olhos amarelos e enormes com seus mais de três metros. Essencialmente ligados à natureza, os Na´Vi (como são chamados os nativos) não ficam nada satisfeitos com a presença de humanos e máquinas por lá e tornam-se hostis e protetores conforme percebem a iminente ameaça “daqueles que vem do céu” em relação aos seu território. Os Na´vi vivem em harmonia com a natureza e os perigos de Pandora. Eles são uma versão gigante dos Smurfs: Seres azuis, simpáticos e carismáticos.
O filme conta a saga de Jake Sully (interpretado pelo ator Sam Worthington), um ex-fuzileiro paraplégico que é convidado a participar de um programa chamado Avatar. O programa consiste em ligar a consciência dos soldados a um corpo geneticamente criado em laboratório para se misturar a população local e sobreviver no inóspito ambiente do planeta. O avatar é basicamente o corpo de um Na´vi controlado pela consciência de um humano.
O programa foi criado para facilitar a interação dos humanos com os nativos do planeta de forma diplomática. A missão de Jake é aprender a conviver com os nativos e evitar uma guerra, assim como juntar informações sobre sua língua e seus costumes para passar aos militares humanos. Mas acontece que ele fica encantado não só com a possibilidade que seu avatar lhe proporciona, de ser fisicamente ativo novamente, mas também com os encantos de Pandora. É uma história de amor. Não só de Jake por Neytir, uma nativa rancorosa contra os seres humanos, mas principalmente de Jake pela natureza e a cultura dos habitantes deste distante mundo.
O filme acerta e é atual ao falar de avatares. Afinal, todos os jovens têm um segundo correspondente no mundo virtual, seja em fóruns, games ou chats. Apesar da idéia de viver em outro corpo já ter sido explorada em Matrix, filme inspirado nos conceitos da Caverna de Platão e nas teorias do livro “Simulacros” do sociólogo francês Jean Baudrillard.
Outro mérito do filme é conseguir ter uma função conscientizadora deixando moralismos de lado. Ele alerta de forma camuflada sobre o estado em que a humanidade e o nosso mundo se encontram. Pandora nada mais é do que uma alegoria para o nosso presente momento, em que os homens ignoram todos os avisos e teimam em destruir algo que parece singelo e frágil, mas que tem um poder inimaginável. A analogia com boa parte dos países colonizadores é evidente: Portugal e ouro, Inglaterra e especiarias, EUA e petróleo, e por aí vai. As semelhanças com a guerra do Iraque, Vietnam, a colonização da América e a própria degradação do meio ambiente, estão em Avatar.
Não tem como não falar do filme mais comentado da década. Além de Avatar, James Cameron também fez o filme mais comentado da década passada, Titanic. Ambos alcançaram o título de “filme mais caro e lucrativo da história do cinema”. Isso sem falar em O Exterminador do Futuro, um dos filmes mais comentados da década retrasada.
Avatar é um divisor de águas para o cinema digital e a tecnologia 3D. A experiência é de imersão. Nós entramos no filme. Ainda mais se assistido em 3D e em uma tela Imax. Eu, por acaso, já havia sentido algo semelhante quando assisti a Titanic. Mas apenas por causa de um ar condicionado mal regulado que deixou a sala de projeção geladíssima.
O espetáculo visual que Avatar proporciona não deve decepcionar ninguém. Visualmente é uma obra de arte tridimensional, cheia de detalhes, deslumbrante. É impossível distinguir o que é real do que é modelo criado por computador. As cenas desafiam qualquer percepção. Armados com os incômodos óculos 3-D, somos convidados a passar para o outro lado da tela. O cinema passa a viver uma nova era tecnológica. É um produto feito para os tempos de hoje, em que a receita de muitos filmes é prejudicada pela pirataria. Para aproveitar o que filme oferece de melhor (seus efeitos visuais) é preciso assisti-lo em uma sala de cinema 3D.
Mas Avatar, apesar de todos os seus méritos, principalmente técnicos, não é um grande filme. É, sem dúvida, um marco tecnológico, uma revolução visual. Mas não tem o peso de Star Wars, a ficção científica de George Lucas feita em 1977 com maquetes que, hoje, soariam como inocentes brinquedos. A diferença essencial é que Star Wars tem um roteiro brilhante, enquanto o roteiro de Avatar se encaixa nos clichês mais convencionais e é repleto deles. A fórmula da história é batida e a mesma usada por mais de século em todo tipo de jornada épica e filmes de batalha e romance. Peca também por ser longo demais (quase duas horas e meia) e ter diálogos muito fracos. O filme Distrito 9, lançado também de 2009, é a prova de que não é preciso ir tão longe para achar um roteiro inteligente em um filme de ficção científica. Distrito 9 tem muitas semelhanças com Avatar: Ambos exploram analogias e paralelismo entre a realidade e ficção através dos seus argumentos, e ambos identificam o ser humano como principal opressor.
A atuação do protagonista (o ator Sam Worthington) não convence e chega a ser irritante de tão ruim no início do filme. Mas é salva por seu par romântico, a atriz Zoe Saldana, que aparece 100% digitalizada no papel da bela Neytiri. Destaca-se também a atuação do vilão do filme, o ator Stephen Lang, que interpreta o Coronel Quaritch, 100% humano, mas que batalha com uma máquina que é sua própria extensão física. Mas não chega a ser um vilão marcante, a altura de Darth Vader de Guerra nas Estrelas.
Avatar é cinema diversão de melhor qualidade. Entretenimento puro! Quase como entrar em um brinquedo da Disney. Por mais legal e bem feito que seja, um menino de 12 anos curte muito mais do que um adulto. Mas como vivemos em um mundo extremamente infantilizado, onde adultos são uma espécie em extinção, não é de se estranhar o gigantesco sucesso de público e crítica do filme.
Eu prefiro mais o cinema da vida real. Aquele que leva às telas temas mundandos, existencialistas, de preferência recheados de belos diálogos. Me deixo seduzir mais pelo conteúdo do que pela imagem. Mas isso é só uma questão de gosto. Acho a vida humana tão espetacular que adoro ver situações do cotidiano retratas em dramas, comédias e aventuras retratadas na tela grande. Mitos e fábulas podem ser fascinantes, é claro, mas acho que são ainda mais fascinantes quando somos crianças e ainda não entendemos a magia da vida real. Eu adorava as trilogias de ‘Guerra nas Estrelas’ e de ‘De volta para o futuro’. Eram os meus filmes prediletos na infância. Hoje são os de Woody Allen.
Os filmes de ficção científica são criadores de novas realidades, novos mundos. São, normalmente, derivados de sucessos literários do gênero. Mas Star Wars e Avatar são exceções. Eles foram criados especialmente para o cinema. Baseados nos estudos de Joseph Campbell, maior especialista sobre Mitologia, autor do livro O Poder do Mito, eles (George Lucas e James Cameron) criaram suas próprias fábulas. São iguais, porém com roupagens diferentes. Não faltam o bem e o mal bem definidos, o aprendiz, o mestre, a traição e o elemento místico. E filmes como Pocahontas, Dança com Lobos e O Pequeno Grande Homem , só para citar alguns, trazem motes muito semelhantes ao de Avatar: a inserção em um meio nativo, a redescoberta de si próprio, o conflito entre o moderno e o atrasado, etc.
O blog The Classe Média way of life é um dois mais interessantes na rede. Ele mostra de forma irônica o ‘modus vivendi’ da classe média (ou seria, merda?) brasileira. Essa nossa classe média que perdeu a capacidade de crítica e indignação. É preocupante se dar conta que um segmento social muito importante como a classe média comporta-se em forma de rebanho. Pobres coitados e iludidos. Preferem a ilusão da sensação de segurança do que uma política concreta para a questão, não acreditam em nada que não seja uma farsa de showbizz.
“Sou classe média, papagaio de todo telejornal / Eu acredito na imparcialidade da revista semanal
Sou classe média, compro roupa e gasolina no cartão / Odeio coletivos e vou de carro que comprei a prestação”
Reproduzo abaixo alguma das melhores observações do blog sobre as características típicas de um médio-classista, ou de um ‘classe-merda’:
LER A REVISTA VEJA – Veja é leitura obrigatória. Não é uma revista qualquer, é uma espécie de "manual de conduta". Na verdade, esta revista facilita muito a vida do classe-merda, porque ela serve como guia para ele pautar suas opiniões. Na verdade, a parte das "suas opiniões" será muito facilitada, porque ele não precisará elaborá-las. Tudo o que ele precisa pensar sobre qualquer coisa e qualquer pessoa estará detalhado nas páginas da revista.
ASSINAR TV A CABO E ASSISTIR AO FAUSTÃO - A formação intelectual do médio-classista resume-se a manter-se “muito bem informado” lendo Veja, assistindo Jornal Nacional e Fantástico. Todo classe-merda tem tv a cabo em casa, que serve apenas para assistir aos seriados americanos do tipo 'Friends'. Mas a tv fica ligada a maior parte do tempo mesmo é no Faustão e nas novelas.
TER SOBRENOME ITALIANO - Grande parte da Classe Média brasileira tem sobrenome italiano. Logicamente que existem muitos casos de origens em outros países europeus, mas o descendente de imigrante italiano é, por excelência, o médio-classista brasileiro padrão.
O classe-merda acha que dizer a todos que ele tem ascendência italiana vai fazê-lo ser respeitado. Isso porque ninguém dá moral pra quem é nascido de uma família tipicamente brasileira. Não é nada chique, não causa impacto nem tampouco sensação.
Com um sobrenome italiano, ele pode também encher a boca pra falar que o brasileiro é preguiçoso, pois os italianos trabalharam muito e hoje estão bem de vida. E quem disser que eles estão assim hoje por causa do incentivo do Governo Brasileiro, a doação de terras, o fomento à organização em enclaves, é um invejoso. Também torcem o nariz se alguém questiona a ética e sugere práticas ilícitas na acumulação de patrimônio. E se alguém perguntar por que eles vieram pra cá, mudam de assunto, afinal, o foco da conversa não é este.
DIZER QUE GOSTA DE COMIDA JAPONESA - Para ser da Classe Média, você precisa ser chique. E não há nada mais chique, gastronomicamente (que chique!) falando, que se dizer apreciador de comida japonesa. Hoje em dia, a comida japonesa é considerada um luxo. Talvez porque os pobres não gostam. Seja lá qual for a explicação, o classe-merda deve aprender uns quatro nomes de iguarias japonesas, escolher uma para ser a sua predileta, e mandar ver nas rodas de amigos.
CONSUMIR PIRATARIA - De todos os itens que formam o conjunto de bens de consumo do médio-classista padrão, da sala à área de serviço, da porta de entrada à porta dos fundos, 40 a 80% correspondem a pirtaria. E os itens pirateados se concentram em maior número no vestuário e acessórios, e nos eletrônicos e audiovisual.
COMPRAR À PRESTAÇÃO - O médio-classista tem que manter um padrão de consumo de acordo com o que ele merece. Mesmo que não tenha dinheiro, o que ele precisar comprar, ele vai. Para tanto, ele deve usar de um artifício que, à primeira vista, pode parecer coisa de pobre: comprar à prestação.
O financiamento é a solução para praticamente todos os problemas da Classe Média. Principalmente o problema de ter o que ostentar na frente dos outros. É muito lógico que aparecer com aquele carro, aquela roupa e aquele relógio para meter inveja em quem quer que seja, vale o sacrifício de ficar anos a fio pagando por isso depois. Imagem é tudo, e ninguém vai saber que os bens exibidos na sociedade não são exatamente seus.
TER CADA UM O SEU CARRO - O primeiríssimo passo para entrar na Classe é abandonar o transporte coletivo, o metrô e até mesmo a bicicleta (esta somente pode ser usada para lazer, e mesmo assim, deve ser transportada de carro até o local do uso). No transporte coletivo ele está num espaço público, sujeito a ficar perto de pobres e nada ali é "só dele". É muito melhor que ele trafegue dentro de sua bolha de vidro e metal, "privatizando" cerca de 10m² do espaço público, com uma máquina de 1000kg que queimará petróleo para transportar uma pessoa de 70kg, a fim de garantir o merecido bem-estar dele até seu destino. Ele tem direito, ele é da Classe Média.
FAZER VALER OS SEUS DIREITOS NO TRÂNSITO - O médio-classista encara o trânsito como se fosse uma grande batalha em defesa do seu direito individualprioritário de ir e vir, o que significa que cada indivíduo da classe, no trânsito, tem prioridade um sobre o outro e vice-versa (numa estranha equação ainda não resolvida pela matemática). E todos têm prioridade sobre os pedestres (este ponto já é bem mais fácil de entender).
ACREDITAR EM DEUS - O médio-classista não apenas acredita em Deus, como acredita que Deus gosta mais dele que dos outros. E para tudo solta um "graças a Deus". A Classe Média, em geral, é católica. E ser católico significa comparecer à Missa aos domingos (claro que nem todos).
ADORAR AMOSTRA-GRÁTIS – A amostra grátis dá ao médio-classista uma sensação de poder inexplicável. É uma sensação que corresponde ao que se sente quando se tira vantagem de algo, se sai ganhando, ou para os mais malandros da Classe, como se tivesse passado alguém pra trás. Comeu, bebeu, mas não pagou. Não pagou um precioso centavinho que seja. "Rá rá rá, eu sou muito esperto", terá pensado um deles bem lá no íntimo.
SER CONCURSEIRO - Um emprego para ele tem que valorizar o que ele tem de melhor (o fato de ser da classe média) e não pode exigir dele mais do que é justo (trabalhar, por exemplo). Logo, eles deduzem que ser empregado ou servidor público é um sonho de consumo para suas pretensões.
SONEGAR IMPOSTO – O médio-classista faz sempre alguma manobra para não pagar algum tributo ou imposto. Afinal, ser médio-classista é ser "esperto". E depois, o Governo já é muito rico. Vai dar dinheiro a ele pra quê? Pra construir posto de saúde? Ele nem usa isso! Tem que se esforçar pra pagar a Unimed todo mês! Que injustiça!
LER (OU DIZER QUE ESTÁ LENDO) UM BEST-SELLER - Para que todo mundo na Book Store saiba que ele é Classe Média, ele vai direto aos Best-Sellers. Ali ele terá segurança para escolher um livro "da moda", um livro que fará todo mundo no trabalho o admirar. Um livro que todos quererão emprestado. Aparecer com algum best-seller da semana incrementa a reputação dele tanto de "culto" quanto de "antenado", igual àquele cara que introduziu O Código da Vinci na turma do escritório. A lista dos mais vendidos nunca erra.
O leitor médio-classista, antes de tudo, é um eclético. Não importa o tema, não importa o autor: o que estiver na moda, se vender muito, ele compra. Mas se ele persiste num impasse diante de tantas boas opções da banca de Best Sellers, se utiliza de um macete que nunca falha: na dúvida, ele compra o que tem a capa mais bonita.
GOSTAR DO CIRQUE DU SOLEIL – O Cirque du Soleil é o entretenimento dos sonhos da Classe Média: não é do Brasil, não é pra pobre, não requer pensamento crítico, passa a quem não conhece a noção de cultura. Na concepção do médio-classista, nada que tenha custado muito dinhero pode um dia ser chamado de "brega". Tampouco algo cujo nome se escreva em francês. Eis a fórmula para transformar toda uma classe em consumidora do seu produto. Tão ou mais importante do que ir ao Cirque du Soleil é, no dia seguinte à apresentação, comentar em voz alta no trabalho que esteve no Cirque du Soleil.
DIZER QUE SONHA PERCORRER O CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA - O sonho dourado da Classe Média é percorrer o Caminho de Santiago de Compostela. Para se tornar um membro da Classe, entretanto, basta dizer que tem vontade.
O tal caminho de Santiago consiste na junção de vários comportamentos e ações que compõem o modo de vida do ser da classe. Ele é composto de: 1) viagem à Europa; 2) falso misticismo para tentar impressionar as pessoas; 3) dois pés no Catolicismo; 4) fincar dois pés no Catolicismo e ao mesmo tempo não se comprometer com a doutrina; 5) poder contar à todos sobre "privação" e "sofrimento" sem ter passado por isso... e muitas outras.
Na verdade, o que conta mesmo é mostrar aos outros que ele tem cultura suficiente para querer isto, e também o anseio de uma "elevação espiritual". Com isso, ele mostrará ao seu interlocutor que tem bens e grana. Você já viu pobre se preocupando com "elevação espiritual"? Isso é pra quem tem dinheiro!
Agora, se ele realmente for à tal caminhada, ele não esquece de encher a sacola de todo tipo de souvenier que encontrar por lá!
FAZER DE TUDO PARA APARECER NA COLUNA SOCIAL – A Classe Média adora colunas sociais. Nas cidades do interior, inclusive, elas são mais acessíveis, por haverem poucos milionários a o espaço precisar de pauta. Neste caso, é bom ter um relacionamento próximo com o responsável pela coluna, dar presentes, oferecer favores diversos, ser "amigo" e por aí vai. Assim, ele poderá também aparecer na Coluna Social, fazendo cara de que é uma coisa comum pra ele, pensando nos seus pares da Classe Média vendo o rosto e o sobrenome dele, e pensando nos pobres que o conhecem o vendo aparecer no jornal.
A Coluna Social é um instrumento integrante dos meios de comunicação, que serve para separar o joio do trigo social. Basicamente, é uma vitrine com rostos e sobrenomes, divulgados em jornais de circulação expressiva, para deixar claro que quem não está ali não faz parte da sociedade.
FAZER YÔGA OU PILATES - A Yôga e seus derivados (Pilates, etc.) constituem o novo esporte da Classe Média. Além de estarem na moda, é uma atividade onde a chance de ser colega de um pobre pode ser matematicamente expressa por uma fração infinitesimal. É muito chique dizer que faz Yoga ou Pilates, porque academia, nos dias de hoje, até o povão tem acesso.
FAZER ‘RUNNING’ - Se existe um esporte tipicamente médio-classista, é a Corrida. Ou melhor, "Running": "corrida" é o que faz o pobre atrás do ônibus. Quem é da Classe Média pratica é o "Running".
O bom desse esporte, para o médio-classista, é não se misturar com quem não está no mesmo nível social. Afinal, pobre nenhum, que já corre o dia inteiro, vai querer se divertir com isso. E se aparentemente o "Running" parece ser um esporte barato, quando se analisa as minúcias, dá pra perceber que é bem caro. Tênis de R$500,00, treinador, academia, freqüencímetro, inscrição para corridas não mais baratas que R$50,00... Tudo isso garante que a empregada dele não passará correndo por ele e seu grupo de amigos, correndo o risco de alguém reconhecê-la e falar pra todo mundo que a empregada corre mais do que ele.
TER UM PET - Um Pet é uma espécie de cachorro de estimação (podem ser outros animais que nada produzem também, como gatos e pássaros), onde todo o trabalho de tratamento e manutenção do bichinho é terceirizado.
Adquirido o Pet, será necessário contar com um serviço de "Pet Shop", onde o bichinho irá toda semana para manutenção e higiene. Neste estabelecimento também será possível encontrar uma dúzia de artigos obrigatórios, como roupinhas, brinquedos, coleiras com corda retrátil, ossos de mentira e tudo que é produto para que o animalzinho seja um Pet, e não um cachorro (quem tem cachorro é pobre).
O Pet é como um membro da família. Pode assistir televisão no sofá, abrir a geladeira, dormir na cama dos donos e até ganhar beijo na boca. Por isso, às vezes, o médio-classista terá que ter jogo de cintura para conter o ciúme da emprega, que também é da família, mas não pode assistir televisão no sofá.
IDOLATRAR OS GRINGOS - Se existe um tipo de pessoa pela qual a Classe Média nutre a mais sincera devoção e idolatria, estes são os gringos. Gringos, para o médio-classista, são como seres de outro mundo, seres iluminados de uma esfera superior, de um planeta onde tudo é ao contrário do Brasil: não há pobres, o trânsito funciona, todo mundo é educado, as ruas são limpas e todo mundo é bonito e veste marcas conhecidas.
Quando um gringo vem ao Brasil, a Classe Média se apressa em fazê-lo se sentir o mais confortável possível. Ele passa a ser o centro das atenções. Nossa Classe Média mostrará como podemos ser um povo bem hospitaleiro (aliás, esta talvez seja a única situação na qual o médio-classista se incluirá na definição de "povo"). O gringo se surpreenderá com o esforço que as pessoas farão para se comunicar com ele em inglês, ao invés de ele ter que seguir o caminho normal, aprendendo um mínimo do idioma local. O gringo será sempre a companhia mais desejada em público. O status de ser amigo de um estrangeiro, entre a Classe Média, não tem preço. Se ele tiver esse privilégio, fará demonstrando, com o olhar e o sorriso altivo, aquele sentimento de estar um patamar acima dos seus iguais. Enquanto for coadjuvante de gringo, ele despertará a inveja e o respeito nos corações da Classe.
E o quando o ‘classe-merda’ vai ao exterior obedece com crista baixa ao guardinha da Disneyworld, apesar de, no Brasil, sempre recusar a orientação do garagista de um shopping.
MORAR EM CONDOMÍNIOS - Possuem uma tendência natural para viver aglomerados. Adoram fila de restaurante, fila de cinema, fila para ingresso do Cirque du Soleil, fila de liquidação. No morar não poderia ser diferente. Foi assim que alguém convenceu a todos que seria legal que cada um pagasse mais caro e morasse em cima de cada outro, como forma de economizar espaço, ganhando o direito de se organizar em “condomínios”, cuja finalidade é proporcionar mais despesas e chateações nessa vida.
Uma outra esquisitice daí proveninente também mudaria de figura as nossas cidades: os empreendimentos imobiliários. A evolução do "morar em apartamento" causou profundas mudanças na maneira como se constrói uma cidade. Se antigamente um edifício era projetado e implantado por um arquiteto, sobre uma malha urbana determinada por um urbanista, e colocado de pé por um engenheiro, atualmente a Classe Média só compra imóveis projetados por publicitários. O publicitário é uma figura de extrema relevância para a Classe. É algo como um guru. Sua função é a de formatar as preferências deste cidadão e impor-lhe tudo aquilo que ele deve gostar. Se você quer ser um médio-classista normal, terá que gostar dessa situação. Do contrário será convencido por um publicitário.
Com a cidade sendo construída pelos empreendimentos do Depto. deMarketing, o desenho urbano e as relações sociais vão tomando a cara da Classe Média. Todo prédio tem um nome, que quando não é um estrangeirismo, é o nome de um lugar que o publicitário visitou. E publicitários só visitam o estrangeiro.
Ou seja, o os médio-classistas , hoje em dia, podem escolher morar em um empreendimento chamado Château De Douceur, onde estão disponíveis nas áreas comuns o "Espaço Kids", para os pequenos brincarem o dia inteiro, o "Espaço Teen", para os adolescentes, o "Garage Band", para os filhos terem o direito de serem rebeldes enquanto a empregada leva suco e biscoitos. Também há o "Woman's Space", para ficar vazio enquanto você frequenta o salão do momento. O "Espaço Gourmet" para dizer aos outros que ele é refinado e cozinha por prazer, enquanto a empregada deixa tudo pré-pronto em segredo, e ainda lava as panelas. O "Fitness Center" para ficar vazio enquanto ele paga uma academia perto do trabalho, e muitos outras salas com nomes estrangeiros. O objetivo disto, além de encarecer absurdamente o condomínio, é fornecer argumentos ao publicitário para que o tamanho dos apartamentos seja cada vez mais diminuto, no pressuposto de que ninguém ficará lá dentro com tantas atividades dando sopa no pilotis.
Por fim, neste novo jeito de morar, uma coisa é imprescindível: grades. O mundo lá fora é mau. A gente de bem está do lado de dentro. Por isso, no espaço urbano todas as características da Classe Média convergem para um único organismo, que é o "lado de dentro". Médio-classista evita sair na rua. Rua é pra pobre, é onde passa ônibus e onde estão os assaltantes. O médio-classista anda de garagem em garagem, da garagem de casa para a garagem do shopping, do trabalho, da academia. Sem contato nem com o ar do lado de fora. Filho de apartamento tem alergia a fumaça, poeira, plantas de verdade de pobre.
Vivemos num modelo de sociedade em que o capital manda no mundo e os interesses das empresas controlam sociedades e pessoas. Isso não é exagero e nem papo de esquerdista, é a pura realidade. Você já parou para pensar que quase tudo que você sabe chega por canais controlados por grandes grupos e que obedecem a interesses políticos e econômicos muito específicos?
Não é nenhuma revelação falar sobre o poder de lavagem cerebral da propaganda e da máfia das grandes corporações. O dinheiro faz sumir histórias e tornar “verdade” o interesse de quem o possui. A grande parte dos principais jornais, revistas, tvs e rádios é controlada por grupos que pertencem a, não mais, do que 5 ou 6 grandes corporações/conglomerados de mídia.
Para quem se interessa no assunto (e todos deveriam!), recomendo o documentário ‘The Corporation’, baseado no livro de Joel Bakan. O filme mostra as grandes corporações como seres autônomos, que funcionam de acordo com motivações distintas daquelas partilhadas entre os homens comuns. O comportamento das grandes corporações motivado pelo lucro e pelo poder chega a ser patológico, digno de um psicopata. Um comportamento voltado exclusivamente à busca de realização pessoal em detrimento de qualquer dano que possa causar a terceiros.
As corporações são como pessoas sem valores morais e que visam somente a lógica do lucro. Os valores morais das corporações deveriam vir de seus indivíduos, mas essas pessoas são, geralmente, bem pagas unicamente para defender o interesse de um bando de acionistas: o lucro.
Mas a forma mais “democrática” de controle é através do Estado. O Estado é a única instituição cujo poder legal excede o das corporações. Coloco democrática entre aspas porque esse controle é feito por pessoas que foram eleitas pelo povo que é fortemente influenciado por uma máquina de propaganda eleitoral que é financiada pelas grandes corporações. Entendem como se fecha esse círculo? Elegemos então pessoas e partidos que deveriam exercer o poder para o benefício da população geral, e não de acionistas de grandes empresas. Mas, como foram colocados lá pelas grandes empresas que financiaram suas campanhas que influenciaram a decisão de voto do povo, eles atuam, primeiramente, em defesa dos interesses dessas grandes corporações. Isso sem falar que o Estado é suscetível (e como) à corrupção e a outras influências não muito democráticas.
Criadas com o objetivo único de tornar mais eficiente o acúmulo do capital, corporações seguem uma dinâmica própria, que transcende valores morais e éticos. Criam estruturas de produção viciadas, com base na lógica do lucro. Elas têm no lucro o único mediador de suas responsabilidades e ações em relação ao público. A não ser que interfira de alguma maneira em sua capacidade de acumular capital, corporações não se sentem responsáveis por danos políticos, sociais, ambientais ou culturais que possam causar.
Qual a saída então? Que panorama pessimista! Como cidadão, a única maneira de se salvaguardar de tudo isso é a educação, a alfabetização midiática e a autodefesa intelecutal. Há muito mais acontecendo no mundo do que a mídia elitista e mainstream descreve. Por isso precisamos da voz de mídias independentes, e a Internet está aí para isso.
Antigamente, dava ‘statuser bem branco e gordo. Era sinal de que você era um nobre e não ficava exposto ao sol fazendo trabalhos árduos, e sinal também de que se alimentava bem. Hoje em dia, ‘status’ é estar permanentemente bronzeado (sinal de que você tem tempo e dinheiro para pegar sol ou pagar um bronze artificial) e magro (os pobres são gordos porque só comem os alimentos mais baratos, normalmente a base de farinha e açúcar, ou seja, se enchem de pães e massas, não tem tempo para malhar todo dia e também não tem dinheiro para uma boa lipoaspiração).
Se séculos atrás as grandes potências mundiais lutavam por um pedacinho de terra para colonizar na África. As grandes potências de hoje – traduzindo: as grandes corporações – lutam através da publicidade para colonizar a mente dos adolescentes, com suas grandes marcas hipnotizadoras. Sim, porque só sendo hipnotizado para pagar R$1.000,00 numa calça Diesel fabricada no Piauí por R$30,00! As pessoas pagam fortunas para botar uma calça com o nome de alguém na bunda! Certo está o Paulo Francis que disse certa vez: “Bunda que mamãe beijou vagabundo nenhum põe tarja”
O Brasil é um país miseráveis onde ostentar é preciso! Na terra do apartheid-social, o que mais vemos é gente que deixa de comer para ter um celular pré-pago de R$1.000,00, que paga uma calça jeans em 12 vezes no cartão, ou que monta a cozinha nas Casas Bahia pagando os maiores juros do mundo no crediário! É o pobre alimentando o rico! Os miseráveis são necessários para servir os ricos a salários de banana (‘escravos disfarçados de assalariados’) e para pagar as maiores taxas de juros do mundo!
Nossa elite manda seus filhos de carro blindado para a escola, se esconde atrás de cercas eletrificadas e brinca de ‘filme americano’ vivendo em condomínios do tipo Alphaville (Que lindo, lá as casas não tem grade). Esquecem que seu condomínio tem uma exército de seguranças armados até os dentes, muros de 5 metros, para separá-los da realidade do país. Vivem num mundo encantado, num verdadeiro faz-de-conta! Uni-duni-duni-tê, Ô-ô-ô-sorvete-colorê!
Em seu livro, ‘Desejo de status’, o filósofo Alain de Botton diz que quando as pessoas buscam ‘Status’, estão, na verdade, buscando amor! Querem ser amadas pelo que elas têm: status, dinheiro, fama e/ou influência. É, e elas acreditam mesmo que as pessoas que a cercam – e a amam - atraídas por tudo isso, são tão verdadeiras e sinceras quanto a vida encantada na mansão sem grades no condomínio de luxo.
Vocês lembram dos filmes de ficção científica que sempre mostravam um ‘futuro’ com máquinas e robôs escravos, servindo aos homens? Pois bem, o futuro chegou! Viajamos lentamente – mais precisamente a ’60 minutos por hora’- e cá estamos nós já no final da primeira década do século XXI. E o que vemos por aí? Cadê os robôs nos servindo? Gente, aconteceu o contrário! Nós, homens e mulheres ditos ‘modernos’, é que viramos escravos das máquinas! Olhem para o lado: As pessoas vivem em função de suas telas, de seus Ipods, de seus Iphones, de seus blackberries, de seus mega-mini celulares, de seus notebooks e por aí vai. Basta um minuto de ócio no elevador do prédio ou em uma sala de espera de aeroporto, para que as pessoas saquem dos seus bolsos ou suas bolsas as suas telas particulares. E começam a procurar alguma coisa para fazer lá, mesmo que seja não fazer nada! Um emailzinho, uma atualização nos contatos, um joguinho de paciência. Caramba, isso é uma doença! Parece que as pessoas precisam estar conectadas o tempo todo com o nada! É a doença do século XXI! Só não é uma doença muito propagada pela mídia porque a indústria farmacêutica ainda não inventou um remédio contra ela. Aí vale mais a pena investir em outras doenças que geram mais lucros, como a doença da moda, o ‘transtorno bipolar’. Isso não existia há anos atrás. Agora metade da população sofre disso e se medica contra isso. Também com tanta matéria nos jornais, revistas e tvs por aí divulgando essa nova ‘doença’, quem é que não quer tê-la? Está de mau-humor hoje, ih, é bi-polar!
Quantos cientistas já não alertaram para a importância do ‘Ócio Criativo’. É justamente aquela hora em que você não tem nada para fazer – e são cada vez mais raros esses momentos na vida ‘moderna’-, ou seja, aquela hora em que você fica sozinho com você mesmo, o momento ideal para pensar na vida, refletir sobre suas ações e atitudes, enfim, crescer! Se quando éramos pequenos nossos pais diziam que precisávamos dormir bastante porque era dormindo que nós crescíamos, agora que crescemos de fato, é preciso termos consciência que só crescemos – ou evoluímos – na hora em que nossa mente descansa das ocupações e do corre-corre do dia-a-dia e, aí então, podemos nos ocupar dela, fazendo uma faxina geral, reavaliando nossas vidas, nossas decisões e nossas atitudes. Mas parece que temos cada vez mais medo desses momentos. Esses momentos em que você fica sozinho, só você e sua mente, sua consciência, seus pensamentos. Mas medo de que? Medo de chegar a uma conclusão lógica: a de que levamos uma vida ‘burra’, a de que somos imbecis, idiotas, burros, e que vivemos uma vida programada, da qual não somos os nossos verdadeiros programadores. Existe um sistema, uma máquina, que programa o nosso software. A nós, basta cuidar do hardware – nosso corpo – então dá-lhe academia! Não, não, não é Academia de Letras, é academia de ginástica mesmo.
Vocês lembram do segundo filme da trilogia ‘De volta para o futuro’? Aquele em que o protagonista – Marty McFly – chega no futuro (2015) e se depara com o filho dele adolescente, completamente ‘idiotizado’. Revendo o filme hoje aquilo me parece tão profético. Pois é, o futuro chegou. Mas o futuro já não é mais como era antigamente.
Aqui no Ocidente o uso do véu por parte das mulheres muçulmanas é tido como forma de reprimir as mulheres e anular sua sexualidade. Talvez estejamos fazendo uma interpretação equivocada dos valores sexuais muçulmanos, dessa moral social islâmica que veste as mulheres de preto até o tornozelo. No ocidente as mulheres usam blusas frente-única, minissaias e shorts curtíssimos. Os outdoors nas ruas mostram mulheres vestidas de calcinha e sutiã, praticamente nuas. Será que não estarmos cegos diante de nossos próprios símbolos de opressão e controle da mulher?
O Islã não reprime a sexualidade. Por trás das tradições há um sentido de público e privado. Para eles, prazer e sexualidade não devem ser expostos de forma promíscua diante de quem quer que seja, a não ser no universo de intimidade conjungal.
As muçulmanas não relatam sentimento de repressão causado pelo lenço sobre o rosto. Ao contrário, elas se sentem libertadas de um olhar que consideram invasivo e sexualmente vulgar, o olhar ocidental.
A tradição cristã ocidental retrata qualquer tipo de sexualidade, inclusive a conjugal, como pecaminosa. Mas no Islã e no judaísmo a sexualidade voltada para o casamento é vista como uma benção, aprovada por Deus. Talvez isso explique por que tanto as mulheres muçulmanas quanto as judias ortodoxas relatam uma vida conjugal com níveis de prazer muito maiores do que se observa no Ocidente.
No contexto da cultura ocidental, a mulher não tem tanta liberdade assim para envelhecer e nem para ignorar as vitrines das grandes lojas. O tempo todo são olhadas pelos homens como se fossem objetos e são comparadas à beleza inalcançável das modelos de revistas e das campanhas publicitárias carregadas de sexualidade que podem ser vistas em qualquer esquina.
Da próxima vez que você, mulher, escolher uma minissaia, pode ser interessante parar para pensar a fundo no verdadeiro significado da liberdade feminina.
Uma pesquisa mostra que para os brasileiros tudo vai bem nas escolas. Mas a realidade é bem menos rósea: o sistema é medíocre. (Veja, ed.2074, 20/08/2008)
Vamos falar sem rodeios. Em boa parte dos lares brasileiros, uma conversa em família flui com muito mais vigor e participação quando se decide a assinatura de novos canais a cabo, o destino das próximas férias ou a hora de trocar de carro do que quando se discute sobre o que exatamente o Júnior está aprendendo na escola. Quando e se esse assunto é levantado, ele se resumirá às notas obtidas e a algum evento extraordinário de mau comportamento, como ter sido pego fumando no corredor ou ter beliscado o traseiro da professora de geografia. O quadro acima é um tanto anedótico, mas tem muito de verdadeiro. De modo geral, com as nobilíssimas exceções que todos conhecemos, os pais brasileiros de todas as classes não se envolvem como deveriam na vida escolar dos filhos. Os mais pobres dão graças aos céus pelo fato de a escola fornecer merenda, segurança e livros didáticos gratuitos. Os pais de classe média se animam com as quadras esportivas, a limpeza e a manifesta tolerância dos filhos quanto às exigências acadêmicas muitas vezes calibradas justamente para não forçar o ritmo dos menos capazes. Uma pesquisa encomendada por VEJA à CNT/Sensus traduz essa situação em números. Para 89% dos pais com filhos em escolas particulares, o dinheiro é bem gasto e tem bom retorno. No outro campo, 90% dos professores se consideram bem preparados para a tarefa de ensinar. Essa satisfação esconde o abismo da dura realidade –oensino no Brasil é péssimo, está formando alunos despreparados para o mundo atual, competitivo, mutante e globalizado. Em comparações internacionais, os melhores alunos brasileiros ficam nas últimas colocações (os estudantes do Brasil aparecem em situações vexaminosas: 53º lugar em matemática e 52º em ciências em uma lista de apenas 57 países).
Uniformizar, alimentar, dar livros didáticos aos jovens e perguntar como foi o dia na escola é fundamental, mas isso ainda não é educação para o século XXI. Isso só se conseguirá, como mostra a pesquisa encomendada por VEJA, quando o otimismo com o desempenho do sistema, que é também compartilhado pelos alunos, for transformado em radical inconformismo. A fagulha de mudança pode ser acendida com a constatação de que as escolas que pais, alunos e professores tanto elogiam são as mesmas que devolvem à sociedade jovens incapazes de ler e entender um texto, que se embaralham com as ordens de grandeza e confiam cegamente em suas calculadoras digitais para não apenas fazer contas mas substituir o pensamento lógico.
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Professores de hoje (ou seriam do século retrasado?) incutem ideologias anacrônicas e preconceitos esquerdistas nos alunos
A doutrinação esquerdista é predominante em todo o sistema escolar privado e particular. É algo que os professores levam mais a sério do que o ensino das matérias em classe, conforme revela a pesquisa CNT/Sensus encomendada por VEJA. Pobres alunos. Eles estão sendo preparados para viver no fim do século XIX, quando o marxismo surgiu como uma ideologia modernizante, capaz não apenas de explicar mas de mudar o mundo para melhor, acelerando a marcha da história rumo a uma sociedade sem classes. Bem, estamos no século XXI, o comunismo destruiu a si próprio em miséria, assassinatos e injustiças durante suas experiências reais no século passado. É embaraçoso que o marxismo-leninismo sobreviva apenas em Cuba, na Coréia do Norte e nas salas de aula de escolas brasileiras.
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"Estamos enviando à vida mais uma geração de ignorantes e despreparados" Gustavo Ioschpe, economista, em sua coluna em VEJA.com, falando dos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb)
VERGONHA! O nadador americano Michael Phelps, fenômeno dos jogos olímpicos, conquistou em duas olimpíadas, quase tantas medalhas olímpicas (14), quanto o Brasil conquistou em toda a história (18). Estou falando de um único atleta americano em duas olimpíadas em comparação com todos os atletas brasileiros em todos os jogos da história!!!!
É preciso investimento em esporte no Brasil. E sem desvio de dinheiro! Acho que é pedir (ou sonhar) demais. Vão dizer que o Brasil tem outras prioridades, como saúde e educação fundamental. Mas a violência urbana também é um dos principais problemas do país. Investir em esportes, instalando sérios centros de treinamentos e incubadoras de talentos esportivos nas favelas e periferias, significaria, certamente, desviar o caminho de muitos jovens que vivem hoje sem perspectivas ou motivações e se entregam desde cedo à criminalidade. O esporte é uma ótima alternativa para evitar que o jovem não seja mais um excluído e vire um marginal (às margens da sociedade).
"O aspecto mais gratificante de se torcer contra os brasileiros é que a gente sempre acaba ganhando” (Diogo Mainardi)
“Na última VEJA, uma leitora me acusou de torcer pelo fracasso do Brasil. Como se fosse necessário torcer. Eu não sou onipotente. Conheço meus limites. Sei que o Brasil fracassará independentemente da minha torcida. Na verdade, não sou eu que torço contra o Brasil – é o Brasil que parece torcer contra todos nós”
-------------------------- Essa gente bronzeada e o chororô olímpico (por Ruth Aquino)
A cada medalha perdida, a cada último lugar numa final, a cada travessia suada para uma semifinal, nós somos convidados a chorar de orgulho verde-amarelo, enrolados na bandeira, pelo esforço de atletas excepcionais. É a maior delegação brasileira, 277 atletas, uma população de quase 200 milhões e, até este domingo, tínhamos quatro medalhas de bronze e uma de ouro. Com a ressalva de que o nosso nadador de ouro, o paulista César Cielo, vive e treina... nos Estados Unidos. Que me desculpem, mas não consigo me emocionar com o desempenho do Brasil nas Olimpíadas. Está longe de nosso potencial humano.
Acorda, Brasil, antes de 2016! O incentivo precisa ser consistente e planejado para nossos atletas não chorarem de decepção. Eles são movidos a teimosia e paixão. Carentes de uma política esportiva séria. Dinheiro já existe. O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) recebe R$ 50 milhões por ano. Em Sydney (2000), últimas Olimpíadas em que o COB mendigava verbas do governo, ganhamos 12 medalhas: seis de prata e seis de bronze. Em Atenas (2004), foram dez medalhas: quatro de ouro, três de prata e três de bronze. Para onde vai esse dinheiro do COB? Quanto é sugado por despesas administrativas?
“Ainda é cedo para um balanço, porque o Brasil é forte em esportes coletivos, que só rendem medalha no final; e aí a percepção de fracasso muda inteiramente para sucesso”, diz o editor-executivo André Fontenelle, nosso especialista enviado à China. “Mesmo assim, na melhor das hipóteses, ganharemos um total de 18 medalhas, e sempre nos mesmos esportes e com as mesmas figuras. Uma evolução pífia”. Para seu tamanho e dinheiro disponível, o Brasil deveria ganhar umas 30, como a Grã-Bretanha, décima colocada em Atenas.
A mídia dá cambalhotas para minimizar o constrangimento de anunciar repetidas derrotas para telespectadores insones. Ninguém agüenta mais acordar cedo para ver o Brasil perder. Na falta de medalhas, a mídia entrevista famílias com voz embargada. E vamos todos à maternidade, onde está o filho recém-nascido do Marcelinho do vôlei. Close nos olhos vermelhos de todos. A musa Ana Paula também chora com saudade do filho. E o brasileiro chora junto, porque é sentimental e adora uma novela. Na categoria de choro derramado, o Brasil já é ouro.
Quando uma americana ganha prata, ela se irrita. Quando as ginastas brasileiras ficam em oitavo e último lugar numa final, pulam de orgulho por ter sido a primeira vez. Em patriotismo de resultado, ninguém bate os chineses e os americanos. Para eles, o que interessa é o pódio. Por trás, contam com uma extraordinária estrutura oficial, não só verba. Quando o Brasil conquista medalhas, elas vêm de talentos isolados que vencem adversidades. Ou de um esporte coletivo como o vôlei, mais bem-sucedido por ter apoio de empresas.
Olimpíadas não são uma questão de sorte, embora Jade tenha dito que a ginástica é “uma caixinha de surpresas”. Olimpíadas exigem preparo, preparo, preparo. Planejamento, persistência, trabalho a longo prazo. Dinheiro chegando ao destino certo. Atletas não precisam ser heróis nem fenômenos Phelps. Bronze é bom, mas essa nossa gente bronzeada também almeja ser prata e ouro. E aí, ninguém mais segura o choro do Brasil.
Não por acaso, o afresco que embeleza a sala de imprensa da residência oficial do primeiro-ministro italiano se chama "A Verdade revelada pelo Tempo". Três séculos depois de pintado por Tiepolo, Berlusconi incomodado com a verdade nua de um seio da alegoria, mandou pintar uma faixa de tecido para cobri-lo. Em nome da decência e da família.
Enquanto isso, espalhadas pelas praias da península, milhões de mulheres italianas, mães, esposas e namoradas de todas as idades, tamanhos e classes sociais, desfrutam o verão "al mare", sem sutiã, sem vergonha e sem culpa. Revistas de celebridades fazem até concursos em que os leitores elegem os melhores e piores topless da temporada, colhidos pelos seus paparazzi. E as gostosonas e barangas das redes de televisão de Berlusconi estão sempre entre as mais votadas.
Mas a hipocrisia e o autoritarismo sozinhos não explicam o moralismo berlusconiano. Há muito mais por trás desse seio, pequeno e discreto, da pintura de Tiepolo. Há a grande teta do Estado italiano, com suas legiões de funcionários, com suas incontáveis vantagens e garantias, formando uma das maiores e piores burocracias do mundo, dominada pelos partidos políticos e gerando uma grande promiscuidade entre o público e o privado.
Esta cultura secular de mamar nas tetas do Estado está custando caro à Itália, estagnada e atropelada pela Espanha entre as maiores economias do mundo. A loba romana com Rômulo e Remo pendurados em suas tetas, hoje se vê, já não era um bom augúrio.
Pobre Itália, tão rica, tão culta e tão bela. Toda vez que penso em Berlusconi, imagino uma cruza maligna de Maluf com Silvio Santos e, por respeito aos amigos italianos, evito o riso ou o deboche.
Não gosto de música baiana, carnaval, e outras manifestações de felicidade coletiva.
Jean Baudrillard escreveu um livro chamado ‘À Sombra das Maiorias Silenciosas’, onde fala sobre a força de inércia das massas (“admirável conjunção dos que nada têm a dizer”):
”As massas não saberiam ter comportamento próprio (...) é a massa prostrada num coma ininteligível (...) sua força é a do seu silêncio. Força de absorção e de neutralização (...) o poder está muito satisfeito por colocar sobre o futebol uma responsabilidade fácil, ou seja, a de assumir a responsabilidade diabólica pelo embrutecimento das massas” (Jean Baudrillard).
SOBRE A AXÉ MUSIC (trecho de texto escrito por Braulio Tavares e publicado no "Jornal da Paraíba")
Alguns críticos vêem na axé-music uma tendência fascista: ela levaria até o extremo aquela atitude megalomaníaca e autoritária do rock, tão bem dissecada por Roger Waters e Alan Parker no filme Pink Floyd: The Wall, misturada com as danças-de-roda das creches infantis e do programa da Xuxa. Valendo-se do coquetel de hormônios que troveja nas artérias da puberdade, é uma música que em momento algum pára de dar ordens aos seus executantes.
A axé-music não tem variação em sua letra porque não pode se dar o luxo de esperar que o público faça aquilo espontaneamente; duvido que ele faça, se não for mandado. . Suas letras são massificantes e psicologicamente infantilizadoras. Ela é a trilha sonora de um ritual de acasalamento, combinada com o militarismo da aeróbica e com as brincadeiras-de-roda da primeira infância.
Quantas vezes parecemos conversar, mas isso não ocorre. Conversações estranhas, porque sem diálogo, aparecem quando numa festa, num encontro casual, ou na escola, no trabalho, ou mesmo em casa, contamos sobre um filme que vimos. A pessoa a quem nos dirigimos, quem deveria conversar sobre o que lhe dizemos, recorre imediatamente a outro filme que ela viu ou diz não gostar de cinema. Fazemos isso e assim nem conversamos sobre o filme assistido por quem narra o fato, nem o visto por quem o ouve. Perdemos a capacidade de prestar atenção no que foi dito. A capacidade de escutar está em extinção. Se usarmos outro exemplo perceberemos o fenômeno de modo ainda mais claro: quando alguém fala de seus problemas, o outro, aquele que deveria ouvir, sempre comparece com seus exemplos interrompendo a atenção necessária à exposição do primeiro, quando não chega a dizer “não quero ouvir, pois isso não me acrescentará nada”, como se conversar – o que fazemos de mais humano - fosse uma troca mercantil de lucros e ganhos. Ou ainda, interrompe com um “eu sei” prepotente, inviabilizando toda descoberta. Em outras palavras, nos tornamos – em graus variados - incomunicáveis. Em tempos de comunicação de massas, numa sociedade estimulada pela mídia que nem sempre cumpre com seu papel de comunicar, esta se tornou uma questão essencial.
------- * Márcia Tiburi é aquela filósofa gaúcha que faz parte do programa ‘Saia Justa’ da GNT. Ela tem um site e um blog (www.marciatiburi.com.br). Procurem no Globo Media Center a entrevista dela no Programa do Jô. Ela falou do livro que está lançando (Filosofia em Comum) e sobre o processo de imbecilização planetária (as pessoas não conversam mais; quando recebem uma informação, não sabem o que fazer com ela; cerca de 70% da população brasileira é de analfabetos funcionais; a filosofia é, na verdade, a prática da conversação para que as pessoas se envolvam com seu próprio pensamento; e por aí vai).
Em entrevista a repórter Luciana Vicária da Revista Época de 08/08/2008, o cientista Richard Lynn*afirma que as pessoas de Q.I. mais alto tendem a questionar a existência de Deus
O pesquisador britânico Richard Lynn dedicou mais de meio século à análise da inteligência humana. Nesse tempo, publicou quatro best-sellers e se tornou um dos maiores especialistas no assunto.Nos últimos 20 anos, passou a investigar as relações entre raça, religião e inteligência. Ao publicar um trabalho na revista científica Nature, que sugeria que os homens são mais inteligentes, um grupo feminista o recepcionou em casa com o que ele chamou de salva de ovos. O mesmo aconteceu quando disse que os orientais são os mais inteligentes do planeta. “Faz parte do ofício de um cientista revelar o que as pessoas não estão prontas para receber”, diz. Ao analisar mais de 500 estudos, Lynn disse estar convencido da relação entre Q.I. alto e ateísmo. “Em cerca de 60% dos 137 países avaliados, os mais crentes são os de Q.I. menor”, disse. Seu trabalho será publicado em outubro na revista científica Intelligence.
ÉPOCA – Por que o senhor diz que pessoas inteligentes não acreditam em Deus?
Richard Lynn – Os mais inteligentes são mais propensos a questionar dogmas religiosos. Em geral, o nível de educação também é maior entre as pessoas de Q.I. maior (um Q.I. médio varia de 91 a 110). Se a pessoa é mais educada, ela tem acesso a teorias alternativas de criação do mundo. Por isso, entendo que um Q.I. alto levará à falta de religiosidade. O estudo que será publicado reuniu dados de diversas pesquisas científicas. E posso afirmar que é o mais completo sobre o assunto.
* Richard Lynn é Professor emérito e chefe do Departamento de Psicologia da Universidade do Ulster, na Irlanda do Norte. É Ph.D. pela Universidade de Cambridge, é um dos maiores especialistas em estudos de inteligência em raças e gêneros.
Leia o relato indignado dessa leitora do jornal 'O Globo':
Não me lembro de ter sentido tanta vergonha de ser brasileira como hoje em dia.
A tal súmula vinculante sobre o uso de algemas é um tapa na cara de todos nós que não temos poder ou dinheiro suficientes para provocar tanta indignação e revolta como atualmente vimos os membros do STF, em sua pior formação em toda a História, sem dúvida.
O Ministro Gilmar Mendes parece entender pouco o que significa o Direito, faça-me um favor. Ele emana da sociedade, senhor Ministro! Não há Direito sem sociedade, qualquer estudante de primeiro período sabe disso. O Direito não é propriedade privada da mais alta corte para que seja aplicado de acordo com interesses obscuros.
O Direitoé responsável pela paz social, pela justiça, sua essência é não permitir o desequilíbrio nas relações sociais, talvez por isso que nas nações civilizadas algemas sejam para todos, e não para pobre, preto e favelado Os ministros do STF deviam viajar aos EUA e à Europa e aprender que lá as pessoas são punidas sim, e usam algemas sim, independente da classe social.
Mas estamos falando de uma autêntica República de bananas, uma nação mergulhada na corrupção, impunidade e, mais do que nunca, na mediocridade daqueles que deveriam ser os guardiões do Estado. Falência moral, social e ética, enfim, o fundo do poço já chegou. Direitos e garantias fundamentais nunca foram absolutos, e não podem prevalecer sobre o direito da sociedade de ver os ladrões, bandidos e canalhas presos, não importa o saldo bancário.
Meu filho de 14 anos ri quando tento passar valores como honestidade e correção, debocha e diz que eu penso estar na Suíça. Não há na Terra país melhor para roubar e matar que no Brasil. Infelizmente, não tenho condição financeira pra ir embora e não voltar mais, mas aqueles que puderem... fujam!Desistam dessa imundície. Salvem-se enquanto podem! E os policiais federais que cruzem os braços e não prendam mais ninguém. Não percam tempo, deixem a roubalheira correr solta, não vale a pena o trabalho.
Aos jovens , meu conselho: estudem e procurem um país que preste para viver.
F.Simas é cidadão do mundo. Nasceu no Rio de Janeiro, onde morou até os 18 anos. Depois morou em Genebra (Suíça), São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Já rodou o mundo visitando Japão, Europa e Américas.
É diplomado em Business Studies pela Academie de Commerce de Genebra, graduado em Comunicação pela UniCuritiba e mestre em Comunicação pela UTP/PR.
Transita pelo mundo acadêmico (como professor universitário), pelo universo corporativo (foi gerente de marketing de uma grande multi-nacional) e pelo showbusiness (como empresário artístico e produtor cultural).
Viveu a infância no Rio de Janeiro dos anos 80, morando nos bairros do Leblon e do Jardim Botânico, passando as férias em Teresópolis, ouvindo as bandas do BRock nas matinês do Canecão, indo ao Maracanã torcer pelo Flamengo de Zico, jogando tênis (ainda na era pré-Guga) no clube Paissandu, assistindo às provas de hipismo que os irmãos disputavam na Sociedade Hípica Brasileira e vibrando no autódromo de Jacarepaguá com as disputas na Fórmula 1 entre Senna-Prost-Mansel-Piquet.
Está enormemente preocupado com o processo de imbecilização da raça humana.